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Há 2 pontos em «Cristo que Passa» cujo tema é Adoração.

A alegria da Quinta-Feira Santa

Que bem se percebe o incessante clamor dos cristãos de todos os tempos diante da Hóstia Santa! «Canta, ó língua, o mistério do corpo glorioso e do sangue precioso que o Rei dos povos, filho do ventre fecundo, derramou para resgate do mundo.» É preciso adorar devotamente este Deus escondido7; Ele é Jesus Cristo, o mesmo que nasceu da Virgem Maria, o mesmo que padeceu e foi imolado na cruz, o mesmo, enfim, de cujo peito trespassado jorraram água e sangue.

Este é o sagrado banquete em que se recebe o próprio Cristo e se renova a sua Paixão; com Ele, a alma priva com o seu Deus e possui um penhor da futura glória. A liturgia da Igreja resumiu em breves estrofes os capítulos culminantes da história da ardente caridade que o Senhor tem por nós.

O Deus da nossa fé não é um ser distante, que contempla o destino dos homens – as suas fadigas, as suas lutas, as suas angústias – com indiferença. É um Pai que ama os seus filhos até ao extremo de lhes enviar o Verbo, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, para, com a sua Encarnação, morrer por nós e nos redimir; o mesmo Pai amoroso que agora nos atrai suavemente a Si, mediante a ação do Espírito Santo que habita em nossos corações.

É esse o motor da alegria da Quinta-Feira Santa: compreendermos que o Criador transborda de afeto pelas suas criaturas. Como se não bastassem todas as outras provas da sua misericórdia, Nosso Senhor Jesus Cristo institui a Eucaristia para que possamos tê-lo sempre perto de nós e porque – tanto quanto nos é possível entender –, movido pelo seu Amor, aquele que de nada precisa não quis prescindir de nós. A Trindade apaixonou-Se pelo homem, elevado à ordem da graça e feito à sua imagem e semelhança, redimiu-o
do pecado – do pecado de Adão, que se propagou a toda a sua descendência,
e dos pecados pessoais de cada um – e deseja vivamente morar na nossa alma, como diz o Evangelho: «Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada.»

Viver a Santa Missa é permanecer em oração contínua, é convencermo-nos de que se trata de um encontro pessoal de cada um de nós com Deus, em que adoramos, louvamos, pedimos, damos graças, reparamos pelos nossos pecados, nos purificamos e nos sentimos, em Cristo, uma só coisa com todos os cristãos.

Talvez tenhamos ocasionalmente perguntado a nós próprios como corresponder a tanto amor de Deus, e até desejaríamos que nos pusessem com toda a clareza diante dos nossos olhos um programa de vida cristã. A solução é fácil e está ao alcance de todos os fiéis: participar amorosamente na Santa Missa, aprender a estar intimamente com Deus na Missa, porque este sacrifício encerra tudo aquilo que o Senhor quer de nós.

Permiti que vos recorde o que tereis observado tantas vezes: o desenrolar das cerimónias litúrgicas. É muito possível que, seguindo-as passo a passo, o Senhor nos faça descobrir em que pontos devemos melhorar, que vícios temos de extirpar e como há de ser o nosso convívio fraterno com todos os homens.

O sacerdote dirige-se para o altar de Deus, do Deus que alegra a nossa juventude. A Santa Missa inicia-se com um cântico de alegria, porque Deus está aqui; alegria que se exprime, juntamente com o reconhecimento e o amor, no beijo à mesa do altar, símbolo de Cristo e memória dos santos; um espaço pequeno e santificado, porque nesta ara se confeciona o sacramento de eficácia infinita. 

O «Confiteor» põe-nos diante da nossa indignidade; não se trata de uma recordação abstrata da culpa, mas da presença concreta dos nossos pecados e das nossas faltas. Por isso, repetimos: «Kyrie eleison, Christe eleison», Senhor, tende piedade de nós, Cristo, tende piedade de nós. Se o perdão de que necessitamos tivesse relação com os nossos méritos, neste momento nasceria
na nossa alma uma tristeza amarga; mas, por bondade divina, o perdão vem-nos da misericórdia de Deus, a quem já louvamos entoando o Glória, «porque só Vós sois o Santo, só Vós o Senhor, só Vós o Altíssimo Jesus Cristo, com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai».

Referências da Sagrada Escritura