Lista de pontos
A fé e a vocação de cristãos não afetam apenas uma parte da nossa existência, mas toda ela: as relações com Deus são necessariamente relações de entrega e assumem um sentido de totalidade. A atitude de um homem de fé é olhar para a vida, em todas as suas dimensões, de uma nova perspetiva: a perspetiva que Deus nos dá.
Todos vós, que hoje celebrais comigo esta festa de São José, sois homens dedicados ao trabalho em diversas profissões humanas, constituís diversas famílias, pertenceis a diferentes nações, raças e línguas. Tirastes cursos, académicos ou profissionais, exerceis a vossa profissão há vários anos, estabelecestes relações profissionais e pessoais com os vossos colegas, participastes na solução dos problemas coletivos das vossas empresas e da vossa sociedade.
Pois bem: recordo-vos uma vez mais que nada disso é alheio aos planos divinos. A vossa vocação humana é uma parte, e uma parte importante, da vossa vocação divina. É por esta razão que tendes de vos santificar, contribuindo simultaneamente para a santificação dos outros, vossos iguais, precisamente santificando o vosso trabalho e o vosso ambiente: essa profissão ou esse ofício que preenche os vossos dias, que confere uma fisionomia peculiar à vossa personalidade humana, que é a vossa maneira de estar no mundo; o vosso lar e a vossa família; e a nação onde nascestes e que amais.
O trabalho acompanha necessariamente a vida do homem neste mundo. Com ele, surgem o esforço, a fadiga, o cansaço, manifestações de dor e de luta que fazem parte da nossa existência humana atual e que são sinais da realidade do pecado e da necessidade da redenção. Mas o trabalho, em si mesmo, não é uma condenação, uma maldição ou um castigo: quem assim fala não leu bem a Sagrada Escritura.
É altura de nós, cristãos, dizermos bem alto que o trabalho é um dom de Deus, e que não faz sentido nenhum dividir os homens em categorias segundo os tipos de trabalho, considerando umas tarefas mais nobres que outras. O trabalho, todo o trabalho, é um testemunho da dignidade do homem, do seu domínio sobre a criação; é um meio de desenvolvimento da personalidade;
é um vínculo de união com os outros seres, uma fonte de recursos para sustentar a família; é um meio de contribuir para o melhoramento da sociedade em que se vive e para o progresso de toda a humanidade.
Para um cristão, essas perspetivas alargam-se e ampliam-se, porque o trabalho é uma participação na obra criadora de Deus, que, ao criar o homem, o abençoou dizendo-lhe: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se movem na terra»; e também porque, tendo sido assumido por Cristo, o trabalho se nos apresenta como uma realidade redimida e redentora:
não é só o âmbito em que o homem vive, é meio e caminho de santidade, realidade santificável e santificadora.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/book-subject/es-cristo-que-pasa/33372/ (18/05/2026)