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A alegria cristã
Peguemos de novo no tema que a Igreja nos propõe: Maria subiu ao Céu em corpo e alma, os anjos rejubilam! Penso também no júbilo de São José, seu esposo castíssimo, que a aguardava no Paraíso. Mas voltemos à Terra. A fé confirma-nos que, cá em baixo, na vida presente, estamos em tempo de peregrinação, de viagem, pelo que não faltarão sacrifícios, dor e privações. Contudo, a alegria há de ser sempre o contraponto do caminho.
«Servi ao Senhor com alegria.» Nem há outro modo de O servir: «Deus ama quem dá com alegria», quem se entrega totalmente num sacrifício gostoso, porque não há motivo algum que justifique o desconsolo.
Talvez julgueis que tal otimismo é excessivo, porque todos os homens conhecem as suas insuficiências e os seus fracassos, experimentam o sofrimento, o cansaço, a ingratidão, talvez até o ódio. Se nós, cristãos, somos iguais aos outros, como poderemos estar livres dessas constantes da condição humana?
Seria ingénuo negar a reiterada presença da dor e do desânimo, da tristeza e da solidão, durante a nossa peregrinação por esta Terra. Pela fé, aprendemos com segurança que nada disso é produto do acaso, que o destino da criatura não é caminhar para a aniquilação dos seus desejos de felicidade. A fé ensina-nos que tudo tem um sentido divino, pois esta é uma característica intrínseca do chamamento que nos conduz à casa do Pai. Esta maneira sobrenatural de
compreender a existência terrena do cristão não simplifica a complexidade
humana; mas garante ao homem que essa complexidade pode ser penetrada pelo nervo do amor de Deus, pelo cabo forte e indestrutível que liga a vida na Terra à vida definitiva na Pátria.
A festa da Assunção de Nossa Senhora apresenta-nos a realidade dessa esperança gozosa. Ainda somos peregrinos, mas a nossa Mãe precedeu-nos e aponta-nos o termo do caminho, repetindo-nos que é possível lá chegar e que, se formos fiéis, chegaremos. É que a Santíssima Virgem não é só nosso exemplo, é auxílio dos cristãos; e, quando lhe pedimos «Monstra te esse matrem», mostra que és Mãe, não pode nem quer negar-se a cuidar dos seus filhos com solicitude maternal.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/es-cristo-que-pasa/177/ (18/05/2026)