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Para um cristão, o matrimónio não é uma simples instituição social e menos ainda um remédio para as fraquezas humanas; é uma autêntica vocação sobrenatural. Sacramento grande em Cristo e na Igreja, como diz São Paulo, é, simultânea e inseparavelmente, um contrato que um homem e uma mulher fazem para sempre, pois, quer queiramos quer não, o matrimónio instituído por Jesus Cristo é indissolúvel, sinal sagrado que santifica, ação de Jesus que invade a alma dos cônjuges e os convida a segui-lo, transformando toda a vida matrimonial num caminhar divino pela Terra.
As pessoas casadas são chamadas a santificar o seu matrimónio e a santificar-se nessa união; cometeriam, por isso, um grave erro se edificassem a sua vida espiritual de costas para a própria família e à margem dela. A vida em casa, as relações conjugais, o cuidado e a educação dos filhos, o esforço para sustentar, manter e melhorar economicamente a família, as relações com as outras pessoas que constituem a comunidade social – tudo isso são situações humanas e vulgares que os esposos cristãos devem sobrenaturalizar.
A fé e a esperança hão de evidenciar-se na serenidade com que se encaram os grandes ou pequenos problemas que surgem em todas as famílias, no empenho com que se persevera no cumprimento do próprio dever. Deste modo, a caridade preencherá todos os momentos, levando a partilhar alegrias e possíveis dissabores; a saber sorrir, esquecendo as preocupações pessoais para dar atenção aos outros; a escutar o outro cônjuge e os filhos, mostrando-lhes que são deveras amados e compreendidos; a não dar valor a pequenos atritos sem importância, que o egoísmo poderia transformar em montanhas; a realizar com grande amor os pequenos serviços que compõem a convivência diária.
Santificar o quotidiano doméstico, criando um autêntico e afetuoso ambiente de família: é disso que se trata. Para santificar cada um dos dias, é necessário exercitar muitas virtudes cristãs; primeiro as teologais, e depois todas as outras: a prudência, a lealdade, a sinceridade, a humildade, o trabalho, a alegria... Ao falar do matrimónio e da vida matrimonial, temos de começar por uma referência clara ao amor dos cônjuges.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/es-cristo-que-pasa/23/ (18/05/2026)