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E, com os Reis Magos, também Lhe oferecemos mirra, o sacrifício que não deve faltar na vida cristã. A mirra traz à nossa lembrança a Paixão do Senhor: na cruz, dão-Lhe a beber mirra misturada com vinho, e foi com mirra que ungiram o seu corpo para a sepultura. Mas não penseis que meditar na necessidade do sacrifício e da mortificação é introduzir uma nota de tristeza na alegre festa que hoje celebramos.
A mortificação não é pessimismo nem espírito azedo. Sem a caridade, a mortificação nada vale; por isso, temos de procurar mortificações que, mantendo-nos livres em relação às coisas da Terra, não mortifiquem os que vivem connosco. O cristão não pode ser um verdugo nem um miserável; é um homem que sabe amar com obras, que demonstra o seu amor com a pedra de toque da dor.
Mas volto a dizer que essa mortificação não consistirá, habitualmente, em grandes renúncias, cuja oportunidade não se nos depara com frequência. Há de ser feita de pequenas vitórias: sorrir a quem nos incomoda, negar ao corpo o capricho de bens supérfluos, habituarmo-nos a ouvir os outros, fazer render o tempo que Deus põe à nossa disposição... e tantos outros pormenores, aparentemente insignificantes – contrariedades, dificuldades, dissabores –,
que surgem ao longo do dia.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/es-cristo-que-pasa/37/ (18/05/2026)