Lista de pontos
Para concretizar, ainda que de modo muito genérico, um estilo de vida que nos incentive a ter intimidade com o Espírito Santo – e, através dele, com o Pai e o Filho –, a ter familiaridade com o Paráclito, podemos centrar-nos em três realidades fundamentais: docilidade – repito –, vida de oração, união com a cruz.
Em primeiro lugar, docilidade, porque é o Espírito Santo que, com as suas inspirações, vai dando tom sobrenatural aos nossos pensamentos, desejos e obras. É Ele quem nos impele a aderir à doutrina de Cristo e a assimilá-la em profundidade; quem nos dá luz para tomarmos consciência da nossa vocação pessoal e força para realizarmos tudo o que Deus espera de nós. Se formos dóceis ao Espírito Santo, ir-se-á formando em nós uma imagem cada vez mais nítida de Cristo e, desse modo, aproximar-nos-emos cada vez mais de Deus Pai: «Os que se deixam guiar pelo Espírito, esses é que são filhos de Deus.»
Se nos deixarmos guiar por esse princípio de vida presente em nós que é o Espírito Santo, a nossa vitalidade espiritual irá crescendo e abandonar-nos-emos nas mãos de Deus nosso Pai com a mesma espontaneidade e confiança com que uma criança se lança nos braços de seu pai. «Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu», disse o Senhor: antigo e sempre atual caminho de infância espiritual, que não é sentimentalismo nem falta de têmpera humana, mas maturidade sobrenatural, que nos permite aprofundar as maravilhas do amor divino, reconhecer a nossa pequenez e identificar plenamente a nossa vontade com a de Deus.
Tornarmo-nos crianças no amor de Deus
Consideremos atentamente este ponto, porque pode ajudar-nos a compreender coisas muito importantes; com efeito, o mistério de Maria faz-nos ver que, para nos aproximarmos de Deus, temos de nos tornar pequenos. «Em verdade vos digo: se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu», exclamou o Senhor, dirigindo-Se aos seus discípulos.
Tornarmo-nos crianças: renunciar à soberba e à autossuficiência; reconhecer que, sozinhos, nada podemos, porque temos necessidade da graça e do poder de Deus nosso Pai para aprender a caminhar e para perseverar no caminho. Para sermos pequenos, temos de nos abandonar como as crianças se abandonam, de crer como as crianças creem, de pedir como as crianças pedem.
E aprendemos tudo isto na intimidade de Maria. A devoção a Nossa Senhora não é uma devoção branda nem pouco rija; é consolo e júbilo, que enche a alma precisamente porque pressupõe um exercício profundo e íntegro da fé, que nos faz sair de nós e depositar a nossa esperança no Senhor. Canta um salmo: «O Senhor é meu pastor: nada me falta. Em verdes prados me faz descansar e conduz-me às águas refrescantes. Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos retos, por amor do seu nome. Ainda que atravesse vales
tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo.»
Porque Maria é Mãe, ter-lhe devoção ensina-nos a ser filhos: a amar deveras, sem medida; a ser simples, sem as complicações que nascem do egoísmo de pensar só em nós; a estar alegres, sabendo que nada pode destruir a nossa esperança. O princípio do caminho que leva à loucura do amor de Deus é um confiado amor a Maria Santíssima, escrevi há muitos anos, no prólogo de uns comentários ao Santo Rosário; e, desde então, confirmei múltiplas vezes a verdade destas palavras. Não vou agora fazer muitos raciocínios a glosar esta ideia; convido-vos a que façais essa experiência, conversando amorosamente com Maria, abrindo-lhe o vosso coração, confiando-lhe as vossas alegrias e as vossas penas, pedindo-lhe que vos ajude a conhecer e a seguir Jesus.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/book-subject/es-cristo-que-pasa/31126/ (23/05/2026)