Lista de pontos

Há 2 pontos em «Cristo que Passa» cujo tema é Eucaristia → o Senhor no sacrário.

Não compreendo que se possa viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia. E entendo perfeitamente que, ao longo dos séculos, as sucessivas gerações de fiéis tenham concretizado de diferentes maneiras essa piedade eucarística, umas vezes com práticas multitudinárias, professando publicamente a sua fé, outras com gestos silenciosos e discretos, na sagrada paz do templo ou na intimidade do coração.

Antes de mais, havemos de amar a Santa Missa, que deve ser o centro do nosso dia. Se vivermos bem a Missa, como não haveremos de manter o pensamento no Senhor ao longo do dia, com o desejo ardente de não nos afastarmos da sua presença, para trabalharmos como Ele trabalhava e amarmos como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor essa outra delicadeza que teve connosco: não quis limitar a sua presença ao momento do sacrifício do altar, mas decidiu permanecer na Hóstia Santa que fica reservada no tabernáculo, no sacrário.

Dir-vos-ei que, para mim, o sacrário foi sempre Betânia, aquele local tranquilo e aprazível onde Cristo Se encontra, e onde podemos contar-Lhe as nossas preocupações, os nossos sofrimentos, as nossas aspirações e as nossas alegrias com a simplicidade e naturalidade com que o faziam os seus amigos Marta, Maria e Lázaro. Por isso, ao percorrer as ruas de cidades ou aldeias, alegra-me descobrir, ainda que ao longe, a silhueta de uma igreja: é um novo sacrário, mais uma ocasião para deixar escapar a alma, que vai, em desejo, para junto do Senhor sacramentado.

Nesta festa, em cidades de um extremo ao outro da Terra, os cristãos acompanham em procissão o Senhor, que, escondido na hóstia, percorre as ruas e praças – como durante a sua vida terrena –, aparecendo aos que querem vê-lo, indo ao encontro dos que O não procuram. Jesus aparece assim, uma vez mais, no meio dos seus: como reagimos perante esse chamamento do Mestre?

É que as expressões externas de amor devem nascer do coração e prolongar-se no testemunho de uma atitude cristã. Se fomos renovados com a receção do Corpo do Senhor, temos de expressar essa realidade com obras: que os nossos pensamentos sejam sinceros, pensamentos de paz, de entrega, de serviço; que as nossas palavras sejam verdadeiras, claras, oportunas, que saibam consolar e ajudar, que saibam, sobretudo, levar a luz de Deus aos outros; que as nossas
obras sejam coerentes, eficazes, acertadas, que tenham o «bonus odor Christi», o bom aroma de Cristo, porque fazem lembrar o seu estilo de vida e de comportamento.

A procissão do Corpus Christi torna Jesus presente nas aldeias e cidades do mundo. Mas essa presença, repito, não deve ser coisa de um dia, ruído que se ouve e se esquece. Essa passagem de Jesus lembra-nos que também temos de O descobrir nos nossos afazeres quotidianos. A par da procissão solene desta quinta-feira, deve ir a procissão discreta e simples da vida normal de cada cristão, homem entre os homens, mas com a felicidade de ter recebido a fé e a missão divina de se comportar de tal modo que renove a mensagem do Senhor no mundo. Não nos faltam erros, misérias, pecados. Mas Deus está com os homens, e temos de permitir que Ele Se sirva de nós para continuar a passar entre as criaturas. 

Peçamos, pois, ao Senhor que nos conceda ser almas de Eucaristia, que a nossa relação pessoal com Ele se traduza em alegria, em serenidade, em desejos de justiça; e facilitaremos aos outros o trabalho de reconhecer Cristo, contribuiremos para colocá-lo no cume de todas as atividades humanas; e cumprir-se-á aquela promessa d Jesus: «Eu, quando for erguido da Terra, atrairei todos a Mim.»

Referências da Sagrada Escritura