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Não compreendo que se possa viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia. E entendo perfeitamente que, ao longo dos séculos, as sucessivas gerações de fiéis tenham concretizado de diferentes maneiras essa piedade eucarística, umas vezes com práticas multitudinárias, professando publicamente a sua fé, outras com gestos silenciosos e discretos, na sagrada paz do templo ou na intimidade do coração.
Antes de mais, havemos de amar a Santa Missa, que deve ser o centro do nosso dia. Se vivermos bem a Missa, como não haveremos de manter o pensamento no Senhor ao longo do dia, com o desejo ardente de não nos afastarmos da sua presença, para trabalharmos como Ele trabalhava e amarmos como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor essa outra delicadeza que teve connosco: não quis limitar a sua presença ao momento do sacrifício do altar, mas decidiu permanecer na Hóstia Santa que fica reservada no tabernáculo, no sacrário.
Dir-vos-ei que, para mim, o sacrário foi sempre Betânia, aquele local tranquilo e aprazível onde Cristo Se encontra, e onde podemos contar-Lhe as nossas preocupações, os nossos sofrimentos, as nossas aspirações e as nossas alegrias com a simplicidade e naturalidade com que o faziam os seus amigos Marta, Maria e Lázaro. Por isso, ao percorrer as ruas de cidades ou aldeias, alegra-me descobrir, ainda que ao longe, a silhueta de uma igreja: é um novo sacrário, mais uma ocasião para deixar escapar a alma, que vai, em desejo, para junto do Senhor sacramentado.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/es-cristo-que-pasa/154/ (18/05/2026)