112
Alegres na esperança
Minhas filhas e meus filhos, quero-vos muito felizes, alegres na esperança. Porque sabemos que o Senhor terá, por fim, misericórdia da sua Igreja. Mas, se esta situação se prolongar, teremos de recorrer muito ao remédio do perdão que acabo de vos dar; um remédio que não é meu, porque perdoar é algo completamente sobrenatural, é um dom divino. Os homens não sabem ser clementes. Nós perdoamos na medida em que participamos da vida de Deus, por meio da vida interior, da vocação, do chamamento divino, a que procuramos corresponder tanto quanto possível.
Perante estas coisas tremendas que acontecem, que havemos de fazer? Zangarmo-nos? Ficar tristes? É preciso rezar, filhos. «Oportet semper orare et non deficere»20: temos de rezar continuamente, sem desfalecer. Também quando fazemos algum disparate, para que o Senhor nos conceda a sua graça, e voltemos ao bom caminho. O que nunca devemos fazer é abandonar a luta ou o nosso posto por termos feito um disparate ou podermos fazê-lo. Gostaria de vos comunicar a fortaleza, que, em última análise, nasce da humildade, de saber que somos feitos – dir-vos-ei com a frase gráfica de sempre – de barro da terra; ou, sublinhando ainda mais, de uma massa muito frágil: de barro de moringa.
Se procurardes ter esse trato divino e humano de que vos falei antes com a trindade da Terra e com a Trindade do Céu, ainda que uma vez por outra cometais uma tolice, e das grandes, sabereis aplicar o remédio com sinceridade, lealmente. Talvez depois seja preciso deixar secar a lama que se colou às asas, e empregar os meios – o bico, como os pássaros – para as limpar bem. E, com uma experiência que nos torna mais decididos e mais humildes, recupera-se a capacidade de voar com mais alegria.
Portanto, filhos da minha alma, lutai e estai contentes! «Servite Domino in lætitia!», volto a encarecer-vos. Contagiai esta loucura, rezai pelo mundo inteiro, continuai com esta sementeira de paz e de alegria, de amor mútuo, porque não queremos mal a ninguém. Como sabeis, a prontidão em perdoar faz parte do espírito do Opus Dei. E recordei-vos que, perdoando, também demonstramos que temos o espírito de Deus, porque a clemência – repito – é uma manifestação da divindade. Participando da graça do Senhor, perdoamos a todos e a todos amamos. Mas também temos língua, e devemos falar e escrever quando a honra de Deus e da sua Igreja, e o bem das almas o exigem.
«Iterum dico, gaudete»: insisto de novo, estai contentes e serenos, ainda que o panorama do mundo, e especialmente o da Igreja, esteja cheio de sombras e de misérias. Comportai-vos com retidão de mente e de conduta; cumpri à letra as indicações que a Obra maternalmente vos dá, pensando unicamente na vossa felicidade temporal e eterna; sede humildes e sinceros; recomeçai com novo ímpeto, se alguma vez tropeçais. Então, a alegria será um fruto – o mais belo – da vossa vida de filhos de Deus, mesmo no meio das maiores contrariedades. Porque a alegria interior, fruto da cruz, é um dom cristão, e especialmente dos filhos de Deus no Opus Dei.
«Que o Deus da esperança vos cumule de toda a sorte de gozo e de paz na vossa fé, para que cresçais sempre mais na esperança, pela virtude do Espírito Santo»21.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/en-dialogo-con-el-se%C3%B1or/112/ (18/05/2026)