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A luta, um compromisso de amor e de justiça

Mas esta linguagem não será antiquada? Não foi porventura substituída por um vocabulário da moda, feito de claudicações pessoais encobertas com uma roupagem pseudocientífica? Não existirá um acordo tácito segundo o qual os bens reais são o dinheiro que tudo compra, o poder temporal, a astúcia para ficar sempre por cima, a sabedoria humana que se autodefine como adulta e pensa ter ultrapassado o sagrado?

Não sou nem nunca fui pessimista, porque a fé me diz que Cristo venceu definitivamente e nos deu, como prémio da sua conquista, um mandato, que é também um compromisso: lutar. Nós, cristãos, temos um empenho de amor, que aceitámos livremente em resposta ao apelo da graça divina; uma obrigação que nos incentiva a lutar com tenacidade, porque sabemos que somos tão frágeis como os outros homens, mas, ao mesmo tempo, não podemos esquecer
que, se aplicarmos os devidos meios, seremos o sal, a luz e a levedura do mundo: seremos o consolo de Deus.

A nossa determinação em perseverar com firmeza neste propósito de amor é, por outro lado, um dever de justiça. E a matéria desta exigência, comum a todos os fiéis, concretiza-se numa batalha constante. A tradição da Igreja sempre se referiu aos cristãos como milites Christi, soldados de Cristo; soldados que dão serenidade aos outros, enquanto lutam continuamente contra as suas próprias más inclinações. Às vezes, por falta de sentido sobrenatural, por impiedade prática, há quem não queira compreender a vida na Terra como milícia, insinuando maliciosamente que, considerando-nos milites Christi, corremos o risco de utilizar a fé para fins temporais de violência e facciosismos. Esse modo de pensar é um triste e pouco lógico simplismo, que costuma andar unido ao comodismo e à cobardia.

Não há nada mais estranho à fé católica que o fanatismo, que conduz a estranhas alianças, dos mais diversos matizes, entre o profano e o espiritual. Tal perigo desaparece quando a luta é entendida como Cristo no-la ensinou: como uma guerra de cada um consigo mesmo, como um esforço sempre renovado por amar mais a Deus, por desterrar o egoísmo, por servir todos os homens.
Renunciar a esta contenda, seja com que desculpa for, é declarar-se de antemão derrotado, aniquilado, sem fé, com a alma caída, dissipada em complacências mesquinhas.

Para o cristão, o combate espiritual diante de Deus e de todos os irmãos na fé é uma necessidade, uma consequência da sua condição. Por isso, quem não luta está a atraiçoar Jesus Cristo e todo o seu corpo místico, que é a Igreja.

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