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Sentido divino do caminhar terreno de Jesus

Ao falar diante do presépio, sempre procurei ver Cristo Nosso Senhor desta maneira, envolto em paninhos sobre a palha da manjedoura; e, enquanto ainda é Menino e não diz nada, vê-lo como Doutor, como Mestre. Preciso de O considerar assim, porque tenho de aprender dele. Mas, para aprender dele, temos de conhecer a sua vida: ler o Santo Evangelho e meditar nas cenas que o Novo Testamento nos relata, a fim de penetrar no sentido divino do caminhar terreno de Jesus.

Porque havemos de reproduzir a vida de Cristo na nossa vida, conhecendo-O à força de ler a Sagrada Escritura e de a meditar, à força de fazer oração, como agora, diante do presépio. Temos de entender as lições que Jesus nos dá já desde menino, desde recém-nascido, desde que os seus olhos se abriram para esta bendita terra dos homens.

Crescendo e vivendo como um de nós, Jesus revela-nos que a existência humana, a vida do dia a dia, tem um sentido divino. Por muito que tenhamos meditado nestas verdades, devemos continuar a encher-nos de admiração ao pensar nos trinta anos de obscuridade que constituem a maior parte da passagem de Jesus entre os homens, seus irmãos: anos de sombra, mas, para nós, claros como a luz do Sol; melhor, resplendor que ilumina os nossos dias e lhes dá autêntica projeção, porque somos cristãos comuns, com uma vida trivial, igual à de tantos milhões de pessoas nos mais diversos lugares do mundo.

Foi assim que Jesus viveu durante seis lustros: era o «fabri filiius», o filho do carpinteiro. Depois, serão os três anos de vida pública, com clamor de multidões, e as pessoas surpreendem-se: Quem é este? Onde aprendeu tudo isto? Porque a sua vida tinha sido a vida comum do povo da sua terra. Ele era o «faber, filius Mariæ», o carpinteiro, filho de Maria; e era Deus, e estava a realizar a redenção do género humano, e estava a atrair todas as coisas a Si.

Referências da Sagrada Escritura
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