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Notai: a redenção, que ficou consumada quando Jesus morreu na vergonha e na glória da cruz, «escândalo para os judeus e loucura para os gentios», continuará, por vontade de Deus, a realizar-se até à hora do Senhor. Quem vive segundo o coração de Jesus Cristo não pode deixar de se sentir enviado, como Ele, «peccatores salvos facere», para salvar todos os pecadores, convencido de que precisa de confiar cada vez mais na misericórdia de Deus. Daí, o desejo veemente de nos considerarmos corredentores com Cristo, de com Ele salvarmos todas as almas, porque somos, queremos ser, ipse Christus, o próprio Jesus Cristo, «que Se entregou a Si mesmo como resgate por todos».

Temos uma grande tarefa à nossa frente. E não podemos manter uma atitude passiva, porque o Senhor nos ordenou expressamente: «Fazei render a mina até que eu volte.» Enquanto esperamos o regresso do Senhor, que voltará a tomar posse plena do seu reino, não podemos estar de braços cruzados. A extensão do Reino de Deus não é apenas a missão oficial dos membros da Igreja que representam Cristo por dele terem recebido os poderes sagrados. «Vos autem estis corpus Christi», vós sois o corpo de Cristo, ensina-nos o apóstolo, com o mandato concreto de negociar até ao fim.

Há tanto por fazer! Quer dizer que, em vinte séculos, não se fez nada? Em vinte séculos trabalhou-se muito; não me parece objetiva nem honesta a ânsia de menosprezar, como fazem alguns, a atividade daqueles que nos precederam. Em vinte séculos fez-se um grande labor e, com frequência, foi muito bem realizado; outras vezes houve desacertos, regressões, como também hoje há retrocessos, medo, timidez, ao mesmo tempo que não falta valentia e generosidade. Mas a família humana renova-se constantemente; em
cada geração, é preciso manter o compromisso de ajudar o homem a descobrir a grandeza da sua vocação de filho de Deus, é necessário inculcar o mandamento do amor ao Criador e ao próximo.

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