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*Homilia proferida a 19 de maio de 1966, solenidade da Ascensão do Senhor
A liturgia põe uma vez mais diante dos nossos olhos o último dos mistérios da vida de Jesus Cristo entre os homens: a sua Ascensão aos Céus. Desde o seu nascimento em Belém, já aconteceram muitas coisas: encontrámo-lo no berço, adorado por pastores e reis; contemplámo-lo nos longos anos de trabalho silencioso em Nazaré; acompanhámo-lo pelas terras da Palestina, pregando aos homens o Reino de Deus e fazendo bem a todos; e mais tarde, nos dias da sua Paixão, sofremos ao ver como O acusaram, com que furor O maltrataram e com que ódio O crucificaram.
À dor, seguiu-se a alegria luminosa da Ressurreição. Que fundamento tão claro e firme para a nossa fé! Já não devíamos duvidar. Mas talvez aconteça que, tal como os apóstolos, ainda sejamos fracos e, neste dia da Ascensão, perguntemos a Cristo: «É agora que vais restaurar o reino de Israel?» Será agora que vão desaparecer definitivamente todas as nossas perplexidades e todas
as nossas misérias?
O Senhor responde-nos subindo aos Céus. Também como os apóstolos, ficamos entre admirados e tristes ao ver que Ele nos deixa; na verdade, não é fácil habituarmo-nos à ausência física de Jesus. Comove-me recordar que, num magnífico gesto de amor, Ele Se foi embora e ficou; foi para o Céu e entrega-Se-nos como alimento na Hóstia Santa. Mas sentimos a falta da sua palavra humana, do seu modo de agir, de olhar, de sorrir, de fazer o bem. Gostaríamos de voltar a vê-lo de perto, quando Se senta à beira do poço, cansado da dureza do caminho, quando chora por Lázaro, quando reza longamente, quando Se compadece da multidão!
Sempre me pareceu lógico – e me encheu de alegria – que a Santíssima Humanidade de Jesus Cristo subisse à glória do Pai; mas também me parece que esta tristeza, própria do dia da Ascensão, é uma prova do amor que sentimos por Jesus Nosso Senhor. Sendo perfeito Deus, Ele fez-Se homem, perfeito Homem, carne da nossa carne e sangue do nosso sangue; e agora separa-Se de nós e vai para o Céu. Como não havemos de sentir a sua falta?
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/es-cristo-que-pasa/117/ (18/05/2026)