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*Homilia proferida a 25 de maio de 1969, solenidade de Pentecostes
Com a narrativa dos acontecimentos do dia de Pentecostes, em que o Espírito Santo desceu em forma de línguas de fogo sobre os discípulos de Nosso Senhor, os Atos dos Apóstolos permitem-nos assistir à grande manifestação do poder de Deus com que a Igreja iniciou a sua caminhada entre as nações. Nesse momento, a vitória que – com a sua obediência, a sua imolação na cruz e a sua Ressurreição – Cristo obtivera sobre a morte e o pecado revelou-se em todo o seu esplendor divino.
Os discípulos, que já tinham sido testemunhas da glória do Ressuscitado,
experimentaram em si a força do Espírito Santo: a sua inteligência e o seu coração abriram-se a uma nova luz. Tinham seguido Cristo e acolhido a sua doutrina, mas nem sempre conseguiam penetrar no sentido profundo desta; era necessário que sobre eles descesse o Espírito de verdade, que os fizesse compreender todas as coisas. Sabiam que só em Jesus podiam encontrar palavras de vida eterna, e estavam dispostos a segui-lo e a dar a vida por Ele; mas eram fracos e, quando chegou a hora da provação, fugiram, deixando-O só.
No dia de Pentecostes, tudo isso passou: o Espírito Santo, que é espírito de fortaleza, tornou-os firmes, seguros, audazes; e a palavra dos apóstolos ressoou, forte e vibrante, pelas ruas e praças de Jerusalém.
Os homens e as mulheres que naqueles dias enchem a cidade, provenientes das mais diversas regiões, escutam-nos com assombro: «Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia cirenaica, colonos de Roma, judeus e prosélitos, cretenses e árabes ouvimo-los anunciar, nas nossas línguas,
as maravilhas de Deus!» Os prodígios que se realizam diante dos seus olhos levam-nos a prestar atenção à pregação apostólica. O mesmo Espírito Santo que operava nos discípulos do Senhor também lhes tocou o coração, conduzindo-os à fé.
Conta-nos São Lucas que, depois de São Pedro ter proclamado a Ressurreição de Cristo, muitos daqueles que O rodeavam se aproximaram, perguntando: «Que havemos de fazer, irmãos?». E o apóstolo respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um o batismo em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos seus pecados; recebereis, então, o dom do Espírito Santo.» E o texto sagrado conclui
dizendo que, nesse dia, cerca de três mil pessoas aderiram à Igreja.
A vinda solene do Espírito Santo no dia de Pentecostes não foi um acontecimento isolado. Quase não há página dos Atos dos Apóstolos em que se não fale d’Ele e da ação por meio da qual guia, dirige e anima a vida e as obras da primitiva comunidade cristã. É Ele quem inspira a pregação de São Pedro, quem confirma os discípulos na fé, quem sela com a sua presença o chamamento dirigido aos gentios, quem envia Saulo e Barnabé para terras distantes, a fim de abrirem novos caminhos à doutrina de Jesus; numa
palavra, a sua presença e a sua atuação são dominantes.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/es-cristo-que-pasa/127/ (18/05/2026)