128

A atualidade do Pentecostes

Esta realidade profunda que o texto da Sagrada Escritura nos dá a conhecer não é uma recordação do passado, de uma espécie de idade de ouro da Igreja que ficou perdida na história. É também, a despeito das misérias e dos pecados de cada um de nós, a realidade da Igreja de hoje e da Igreja de todos os tempos. «Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito, para que esteja sempre convosco», tinha o Senhor dito aos seus discípulos; e Jesus cumpriu a sua promessa: ressuscitou, subiu aos Céus e, em união com o eterno Pai, envia-nos o Espírito Santo, para nos santificar e nos dar a vida.

A força e o poder de Deus iluminam a face da Terra. O Espírito Santo continua a assistir a Igreja de Cristo, a fim que ela seja – sempre e em tudo – sinal erguido diante das nações, anunciando à humanidade a benevolência e o amor de Deus9. Por maiores que sejam as nossas limitações, nós, homens, podemos olhar o Céu com confiança e encher-nos de alegria: Deus ama-nos e liberta-nos
dos nossos pecados. A presença e a ação do Espírito Santo na Igreja são o penhor e a antecipação da felicidade eterna, dessa alegria e dessa paz que Deus tem à nossa espera.

Também nós, tal como aqueles primeiros que se aproximaram de São Pedro no dia de Pentecostes, fomos batizados. No batismo, Deus nosso Pai tomou posse da nossa vida, integrou-nos na vida de Cristo e enviou-nos o Espírito Santo. O Senhor, diz-nos a Sagrada Escritura, salvou-nos «mediante um novo nascimento e renovação do Espírito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados pela sua graça, nos tornemos, segundo a nossa esperança, herdeiros da vida eterna».

A experiência da nossa debilidade e das nossas falhas, a desedificação que o doloroso espetáculo da pequenez, ou mesmo tacanhice, de alguns que se chamam cristãos possa ocasionar, o aparente fracasso ou desorientação de algumas iniciativas apostólicas, tudo isso – a confirmação da realidade do pecado e das limitações humanas – poderá, contudo, pôr à prova a nossa
fé, e suscitar tentações e dúvidas: onde estão a força e o poder de Deus? É altura de reagirmos, de exercitarmos uma esperança mais pura e mais robusta, procurando que a nossa fidelidade seja mais firme.

Este ponto noutra língua