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Força de Deus e fraqueza humana

«Non est abbreviata manus Domini»12, a mão de Deus não diminuiu; Deus não é menos poderoso hoje do que foi noutras épocas, nem o seu amor pelos homens é menos verdadeiro. A nossa fé ensina-nos que toda a criação, o movimento da Terra e dos astros, as ações retas das criaturas e tudo quanto há de positivo no correr da história, tudo, numa palavra, veio de Deus e a Deus se ordena.

A ação do Espírito Santo pode passar-nos despercebida, porque Deus não nos dá a conhecer os seus planos e porque o pecado do homem turva e obscurece os dons divinos. Mas a fé recorda-nos que o Senhor atua constantemente: foi Ele que nos criou e é Ele que nos conserva no ser; é Ele que, com a sua graça, conduz toda a criação para a liberdade da glória dos filhos de Deus.

Por isso, a tradição cristã resumiu a atitude que devemos adotar em relação ao Espírito Santo num só conceito: docilidade, ser sensível àquilo que o Espírito divino promove à nossa volta e em nós, aos carismas que distribui, aos movimentos e instituições que suscita, aos afetos e decisões que faz nascer no nosso coração. É o Espírito Santo que realiza no mundo as obras de Deus. Ele é,
como diz o hino litúrgico, dador das graças, luz dos corações, hóspede da alma, descanso no trabalho, consolo no pranto; sem a sua ajuda, nada há no homem que seja inocente e valioso, pois Ele lava as nossas manchas, sara os enfermos, é amor ardente, guia os errantes e conduz os homens ao porto da salvação e do gozo eterno.

Mas a nossa fé no Espírito Santo deve ser plena e completa; não se trata de uma vaga crença na sua presença no mundo, mas de uma aceitação agradecida dos sinais e das realidades a que Ele quis vincular de modo especial a sua força: «Quando Ele vier, o Espírito da verdade, […] há de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer», anunciou Jesus. O Espírito Santo é o Espírito enviado por Cristo para operar em nós a santificação que Ele nos mereceu na Terra.

Por isso, não pode haver fé no Espírito Santo se não houver fé em Cristo, na doutrina de Cristo, nos sacramentos de Cristo, na Igreja de Cristo. Quem não ama a Igreja, quem não tem confiança nela, quem se compraz em mostrar as deficiências e limitações dos que a representam, quem a julga por fora e é incapaz de se sentir seu filho não é coerente com a fé cristã, não crê verdadeiramente no Espírito Santo. E ocorre-me considerar até que ponto a ação do Divino Paráclito quando o sacerdote renova o sacrifício do Calvário,
ao celebrar a Santa Missa nos nossos altares, não será extraordinariamente
importante e abundantíssima.

Referências da Sagrada Escritura
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