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O otimismo cristão
Talvez sintamos, uma vez por outra, a tentação de pensar que tudo isto é muito bonito, mas é um sonho irrealizável. Falei-vos de renovar a fé e a esperança; permanecei firmes, com a certeza absoluta de que os nossos sonhos serão cumulados pelas maravilhas de Deus. Mas é indispensável que nos apoiemos verdadeiramente na virtude cristã da esperança.
Não nos habituemos aos milagres que se operam diante de nós: a este admirável portento que é o Senhor descer todos os dias às mãos do sacerdote. Jesus quer-nos despertos, para nos convencermos da grandeza do seu poder, e para ouvirmos novamente a sua promessa: «Venite post me, et faciam vos fieri piscatores hominum», se Me seguirdes, farei de vós pescadores de homens;
sereis eficazes e atraireis as almas a Deus. Devemos, pois, confiar nessas palavras do Senhor: meter-nos na barca, pegar nos remos, içar as velas e avançar para esse mar do mundo que Cristo nos deixou em herança. «Duc in altum et laxate retia vestra in capturam», fazei-vos ao largo e lançai as vossas redes para a pesca.
O zelo apostólico que Cristo infundiu no nosso coração não deve esgotar-se – extinguir-se – por falsa humildade. Se é verdade que arrastamos misérias pessoais, também é verdade que o Senhor conta com os nossos erros. O facto de nós, homens, sermos criaturas com limitações, com fraquezas, com imperfeições, inclinadas ao pecado, não escapa ao seu olhar misericordioso. Mas Ele manda-nos lutar, reconhecer os nossos defeitos; não para nos acobardarmos, mas para nos arrependermos e fomentarmos o desejo
de ser melhores.
Além disso, temos de recordar sempre que somos apenas instrumentos: «Quem é Apolo? Quem é Paulo? Simples servos, por cujo intermédio abraçastes a fé, e cada um atuou segundo a medida que o Senhor lhe concedeu. Eu plantei, Apolo regou, mas foi Deus quem deu o crescimento.» A doutrina, a mensagem que temos de difundir, tem uma fecundidade própria e infinita, que não é nossa, mas de Cristo. É o próprio Deus quem está empenhado em realizar a obra salvadora, em redimir o mundo.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/es-cristo-que-pasa/159/ (18/05/2026)