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«Instaurare omnia in Christo», dar forma a tudo segundo o espírito de Jesus, é o lema que São Paulo dá aos cristãos de Éfeso. Colocar Cristo no âmago de todas as coisas: «Si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad meipsum», Eu, quando for erguido da terra, atrairei tudo a Mim. Com a sua Encarnação, com a sua vida de trabalho em Nazaré, com a sua pregação e os seus milagres por terras da Judeia e da Galileia, com a sua morte na cruz, com a sua Ressurreição, Cristo é o centro da criação, o Primogénito e Senhor de toda a criatura.
A nossa missão de cristãos é proclamar essa realeza de Cristo; anunciá-la com a nossa palavra e as nossas obras. O Senhor quer os seus em todas as encruzilhadas da Terra: chama alguns ao deserto, para viverem distanciados das preocupações da sociedade humana, a fim de recordarem aos outros homens, com o seu testemunho, que Deus existe; confia a outros o ministério sacerdotal; mas quer a grande maioria no meio do mundo, nas ocupações terrenas. Estes
cristãos devem, pois, levar Cristo a todos os ambientes onde se desenvolve o trabalho humano: às fábricas, aos laboratórios, aos campos, às oficinas dos artesãos, às ruas das grandes cidades e às veredas de montanha.
A este propósito, gosto de recordar a cena da conversa de Cristo com os discípulos de Emaús. Jesus caminha ao lado daqueles dois homens, que perderam quase por completo a esperança, de modo que a existência começa a parecer-lhes desprovida de sentido; compreende a sua dor, penetra no seu coração, comunica-lhes algo da vida que nele habita.
Quando, ao chegar à aldeia, Jesus faz menção de seguir caminho, os dois discípulos retêm-no e quase O obrigam a ficar com eles; depois, reconhecem-no ao partir o pão: o Senhor esteve connosco, exclamam. «Disseram, então, um ao outro: “Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?”» Cada cristão deve tornar Cristo presente entre os
homens, vivendo de tal maneira que aqueles com quem contacta sintam o «bonus odor Christi», o bom aroma de Cristo; comportando-se de forma que, através das ações do discípulo, se possa descobrir o rosto do Mestre.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/es-cristo-que-pasa/105/ (18/05/2026)