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Contemplação da vida de Cristo

É esse amor de Cristo que cada um de nós se deve esforçar por realizar na sua vida. Mas, para sermos ipse Christus, temos de nos ver nele. Não basta termos uma ideia geral do espírito de Jesus, temos de aprender com Ele pormenores e atitudes. E, sobretudo, temos de contemplar a sua passagem pela Terra, as marcas que deixou, para delas tirar força, luz, serenidade, paz.

Quando amamos alguém, queremos conhecer os mais pequenos pormenores da sua existência, do seu carácter, para nos identificarmos com essa pessoa. Por isso, havemos de meditar na história de Cristo, desde o seu nascimento num presépio até à sua morte e à sua Ressurreição. Nos primeiros anos do meu labor sacerdotal, costumava oferecer exemplares do Evangelho ou livros onde se narrasse a vida de Jesus; porque temos de a conhecer bem, de a ter, completa, na mente e no coração, de modo que a qualquer momento, sem necessidade de nenhum livro, fechando os olhos, possamos contemplá-la como um filme; de forma que, nas diversas situações da nossa vida, as palavras e os atos do Senhor nos venham à memória.

Assim, daremos por nós metidos na sua vida. Porque não se trata apenas de pensar em Jesus e de imaginar aquelas cenas; havemos de meter-nos nelas por completo, de ser atores. Seguir Cristo de tão perto como Santa Maria, sua Mãe; como os primeiros doze, como as santas mulheres, como aquelas multidões que se apertavam em seu redor. Se assim fizermos, se não levantarmos obstáculos, as palavras de Cristo entrarão até ao fundo da nossa alma e transformar-nos-ão. Porque «a palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada
que uma espada de dois gumes; penetra até à divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas, e discerne os sentimentos e intenções do coração».

Se queremos levar os outros homens ao Senhor, temos de recorrer ao Evangelho para contemplar o amor de Cristo. Podemos fixar-nos nas cenas culminantes da Paixão, porque, como Ele mesmo disse, «ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos»; mas também podemos considerar o resto da sua vida, o seu trato habitual com quantos se cruzavam com Ele.

Para fazer chegar aos homens a sua doutrina de salvação e lhes revelar o amor de Deus, Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, procedeu de um modo humano e divino. Deus condescende com o homem, assume a nossa natureza sem reservas, exceto no pecado. 

É para mim uma alegria profunda considerar que Cristo quis ser plenamente homem, com carne como a nossa. Emociona-me contemplar a maravilha de um Deus que ama com coração de homem.

Referências da Sagrada Escritura
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