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Fé, amor, esperança: estes são os eixos da vida de São José, e de toda a vida cristã. A entrega de São José aparece-nos tecida pelo entrecruzar de um amor fiel, de uma fé amorosa e de uma esperança confiada. A sua festa é, por isso, uma boa altura para renovarmos a nossa entrega à vocação de cristãos que o Senhor concedeu a cada um de nós.
Quando se deseja sinceramente viver de fé, de amor e de esperança, a renovação da entrega não consiste em retomar uma coisa que tinha entrado em desuso. Quando há fé, amor e esperança, renovar-se é – apesar dos erros pessoais, das quedas, das debilidades – manter-se nas mãos de Deus, confirmando um caminho de fidelidade. Renovar a entrega é, repito, renovar a fidelidade àquilo que o Senhor quer de nós: um amor com obras.
O amor tem, naturalmente, manifestações próprias. Às vezes, fala-se do amor como se fosse uma procura de satisfação pessoal ou um mero recurso para completar egoisticamente a própria personalidade. E não é assim; o amor verdadeiro consiste em sair de si mesmo, em entregar-se. O amor é fonte de alegria, mas é uma alegria que tem as raízes em forma de cruz. Enquanto estivermos neste mundo e não tivermos chegado à plenitude da vida futura,
não pode haver amor verdadeiro sem a experiência do sacrifício, da dor. Uma dor que se saboreia, que pode ser amada, que é uma fonte de satisfação profunda, mas que é uma dor real, porque implica vencer o nosso egoísmo e tomar o Amor como regra de todas e cada uma das nossas ações.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/es-cristo-que-pasa/43/ (19/05/2026)