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Santificar o trabalho, santificar-se no trabalho, santificar com o trabalho

Ao descrever o espírito da associação a que dediquei a minha vida, o Opus Dei, tenho dito que se apoia, como em seu gonzo, no trabalho quotidiano, na profissão que cada um exerce no meio do mundo. A vocação divina dá-nos uma missão, convida-nos a participar na incumbência única da Igreja, para sermos testemunhas de Cristo ante os nossos iguais, os homens, e levarmos todas as coisas a Deus.

A vocação acende uma luz que nos permite reconhecer o sentido da nossa existência; consiste em nos convencermos, com o resplendor da fé, da razão de ser da nossa realidade terrena. A nossa vida – a presente, a passada e a que há de vir – adquire novo relevo, uma profundidade de que não suspeitávamos. Todos os factos e acontecimentos passam a ocupar o seu verdadeiro lugar; entendemos aonde o Senhor nos quer levar e sentimo-nos como que dominados por esse encargo que nos está confiado.

Deus tira-nos das trevas da nossa ignorância, do nosso caminhar incerto por entre as incidências da história, e chama-nos com voz forte, como fez um dia com Pedro e André: «Venite post me, et faciam vos fieri piscatores hominum», vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens, qualquer que seja o lugar que ocupemos no mundo.

Quem vive de fé pode ter dificuldades e lutas, dores e até amarguras, mas nunca desânimo ou angústia, porque sabe que a sua vida serve para alguma coisa, sabe para que veio a este mundo. «Ego sum lux mundi», proclamou Cristo; «qui sequitur me non ambulat in tenebris, sed habebit lumen vitæ», Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida. 

Para merecer essa luz de Deus, é preciso amar, ter a humildade de reconhecer a necessidade de sermos salvos e dizer com Pedro: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! Por isso, nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus.» Se realmente procedermos assim, se abrirmos o nosso coração ao chamamento de Deus, poderemos repetir com verdade que não caminhamos nas trevas, pois a luz de Deus brilha por cima das nossas
misérias e dos nossos defeitos pessoais como o Sol brilha sobre a tempestade.

Referências da Sagrada Escritura
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