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Depois, ouvimos a palavra da Escritura, a epístola e o Evangelho, luzes do Paráclito, que fala com voz humana para que a nossa inteligência saiba e contemple, para que a vontade se robusteça e a ação se cumpra. Porque somos um só povo que confessa uma só fé, um Credo; um povo «congregado na unidade do Pai, do Filho, e do Espírito Santo».

Segue-se o ofertório: o pão e o vinho dos homens. Não é muito, mas vai acompanhado de oração: «De coração humilhado e contrito sejamos recebidos por Vós, Senhor. Assim o nosso sacrifício seja agradável a vossos olhos». Irrompe de novo a recordação da nossa miséria e o desejo de que tudo aquilo que se destina ao Senhor esteja limpo e purificado: «Lavai-me, Senhor, da minha iniquidade e purificai-me do meu pecado.»

Há instantes, antes do lavabo, invocámos o Espírito Santo, pedindo-Lhe que abençoasse o sacrifício oferecido ao seu santo nome. Terminada a purificação, dirigimo-nos à Trindade – «Suscipe, Sancta Trinitas» –, pedindo-Lhe que acolha o que apresentamos em memória da vida, da Paixão, da Ressurreição e da Ascensão de Cristo, em honra de Maria, sempre Virgem, em honra de todos os santos.

«Orate, fratres», reza o sacerdote, para que a oblação redunde em benefício de todos, porque este sacrifício é meu e vosso, de toda a Santa Igreja. Orai, irmãos, mesmo que sejam poucos os que se encontram reunidos, mesmo que só esteja materialmente presente um cristão, ou até só o celebrante, porque qualquer Missa é holocausto universal, resgate de todas as tribos, línguas, povos e nações!

Pela comunhão dos santos, todos os cristãos recebem as graças de cada Missa, quer se celebre diante de milhares de pessoas, quer tenha como único assistente o menino, possivelmente distraído, que ajuda o sacerdote. Em qualquer caso, a Terra e o Céu unem-se para entoar com os anjos do Senhor: «Sanctus, Sanctus, Sanctus...».

Eu aplaudo e louvo com os anjos; não me custa, porque me sei rodeado por eles quando celebro a Santa Missa: estão a adorar a Trindade. E também sei que, de algum modo, a Santíssima Virgem intervém neste ato, dada a íntima união que mantém com a Trindade Beatíssima, e porque é Mãe de Cristo, da sua carne e do seu sangue, Mãe de Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem. Concebido nas entranhas de Maria Santíssima sem intervenção de
varão, mas unicamente pelo poder do Espírito Santo, Jesus tem o mesmo sangue que sua Mãe; e é esse sangue que se oferece no sacrifício redentor, no Calvário e na Santa Missa.

Referências da Sagrada Escritura
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