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É Rei e deseja reinar no nosso coração de filhos de Deus. Não imaginemos, porém, reinados humanos, porque Cristo não domina nem procura impor-Se, dado que «não veio para ser servido, mas para servir». O seu reino é a paz, a alegria, a justiça. Cristo, nosso Rei, não espera de nós raciocínios vãos, mas factos, porque «nem todo o que Me diz: “Senhor, Senhor” entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no céu».
É Médico e cura o nosso egoísmo, se deixarmos que a sua graça penetre até ao fundo da nossa alma. Jesus advertiu-nos de que a pior doença é a hipocrisia, o orgulho que nos leva a dissimular os nossos pecados. Com o Médico, é imprescindível ter uma sinceridade absoluta, contar toda a verdade e dizer: «Domine, si vis, potes me mundare», Senhor, se quiseres – e Tu queres sempre –, podes purificar-me. Tu conheces as minhas fraquezas, tenho estes sintomas e estas debilidades. E mostramos-Lhe as chagas, com toda a simplicidade, e o pus, se houver. Senhor, Tu, que curaste tantas almas, faz que, tendo-Te no meu peito ou contemplando-Te no sacrário, eu Te reconheça como Médico divino.
É Mestre de uma ciência que só Ele possui, a ciência do amor a Deus sem limites e, em Deus, a todos os homens. Na escola de Cristo, aprendemos que a nossa existência não nos pertence. Ele entregou a sua vida por todos os homens e nós, que O seguimos, temos de compreender que também não podemos apropriar-nos da nossa vida de maneira egoísta, sem partilhar as dores dos outros. A nossa vida é de Deus, e havemos de gastá-la ao seu serviço, preocupando-nos generosamente com as almas e demonstrando, com a palavra e com o exemplo, a profundidade das exigências cristãs.
Jesus espera que alimentemos o desejo de adquirir essa ciência, e repete-nos: «Se alguém tem sede, venha a Mim.» E nós respondemos: ensina-nos a esquecermo-nos de nós, para pensarmos em Ti e em todas as almas. Deste modo, o Senhor far-nos-á progredir com a sua graça, como quando aprendemos a escrever (recordais os gatafunhos da infância, guiados pela mão do professor?), e começaremos a saborear a dita de expressar a nossa fé, que é, já de si, outra dádiva de Deus, com os traços inequívocos de um comportamento cristão no qual todos possam descobrir as maravilhas divinas.
É Amigo, o Amigo: «Vos autem dixi amicos», diz-nos. Chama-nos amigos e foi Ele que deu o primeiro passo, pois amou-nos primeiro. Contudo, não impõe o seu afeto: oferece-o. E prova-o com o sinal mais evidente da amizade: «Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos.» Jesus era amigo de Lázaro e chorou por ele quando o viu morto; e ressuscitou-o. Por
isso, se nos vir frios, desalentados, talvez com a rigidez de uma vida interior que se está a extinguir, o seu pranto será vida para nós: «Eu te ordeno, meu amigo, levanta-te e anda», deixa essa vida mesquinha, que não é vida.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-pt/es-cristo-que-pasa/93/ (18/05/2026)