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Plena liberdade em questões temporais
A Obra forma os seus membros para que cada um deles — com liberdade pessoal — atue de modo cristão no exercício de sua profissão, no meio do mundo. Em questões temporais, os Diretores da Obra nunca poderão impor uma opinião: cada um de vós — repito — vos comportais com plena liberdade, de acordo com os ditames de vossa consciência bem formada.
35b. Cada caminhante siga seu caminho
Em 1939, recém-acabada a guerra civil espanhola, dirigi um retiro espiritual, nas proximidades de Valência, que se realizou na escola de uma fundação privada que havia sido utilizada, durante a guerra, como quartel comunista. Num dos corredores, encontrei um grande cartaz, escrito por alguém que não era conformista, em que se lia: cadacaminhante siga seu caminho. Quiseram tirá-lo, mas eu lhes impedi: deixai-o — disse-lhes —, eu gosto: do inimigo o conselho.67 Sobretudo desde então, essas palavras me serviram muitas vezes como tema de pregação. liberdade: cada caminhante siga seu caminho. É absurdo e injusto tratar de impor a todos os homens um critério único em questões em que a doutrina de Jesus Cristo não coloca limites.
35c. Não se pode impor um critério único em questões temporais
Liberdade absoluta em tudo o que é temporal, porque não existe uma fórmula cristã única para ordenar as do mundo: há muitas fórmulas técnicas para resolver problemas sociais, científicos, econômicos, políticos; e todas serão cristãs, desde que respeitem esses princípios mínimos que não podem ser abandonados sem violar a lei natural e os ensinamentos evangélicos.
35d. Monopólios sob pretexto de unidade
Liberdade no que é temporal e também na Igreja, meus filhos. Sou muito anticlerical — com esse anticlericalismo saudável, do qual falo tantas vezes —, e quem tiver o meu espírito também o será. Com demasiada frequência, nos ambientes clericais — que não têm o bom espírito sacerdotal —, organizam-se monopólios com pretextos de unidade; trata-se de encerrar as almas em grupinhos; atenta-se contra a liberdade das consciências dos fiéis — que devem buscar a direção e a formação de suas almas onde julgarem mais adequado e com quem preferirem — e multiplicam-se preceitos negativos desnecessários — já seria muito que se cumprissem os mandamentos de Deus e da Igreja —, os quais se impõem psicologicamente a quem tem de cumpri-los.
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«do inimigo o conselho»: veja-se nota a 24a.
Documento impresso de https://escriva.org/pt-br/carta-29/35/ (26/03/2026)