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O primeiro apostolado dos Supernumerários está em seu lar
Minhas filhas e filhos Supernumerários, penso agora em vossos lares, nas famílias que brotaram desse sacramentum magnum82 do matrimônio. Numa época em que ainda persiste a tarefa destruidora da família, como aconteceu no século passado, chegamos nós para levar o desejo de santidade a esta célula cristã da sociedade.
53b.
Vosso primeiro apostolado é no lar: a formação que o Opus Dei vos dá faz -vos valorizar a beleza da família, a obra sobrenatural que significa a fundação de um lar, a fonte de santificação que se esconde nos deveres conjugais. Não obstante, conscientes da grandeza de vossa vocação matrimonial — assim: vocação! —, sentis especial veneração e um profundo carinho pela castidade perfeita, que sabeis ser superior ao matrimônio,83 e por isso vos alegrais verdadeiramente quando um de vossos filhos, pela graça do Senhor, abraça esse outro caminho, que não é um sacrifício: é uma escolha feita pela bondade de Deus, um motivo de santo orgulho, um serviço voluntário a todos por amor a Jesus Cristo.
53c. Dignidade e limpeza do matrimônio
Normalmente, nos centros educacionais, mesmo que sejam dirigidos por religiosos, não se forma a juventude de maneira a que apreciem a dignidade e a limpeza do casamento. Não o ignorais. É comum que, nos exercícios espirituais — que geralmente são ministrados aos alunos quando já estão em seus últimos anos do secundário —, sejam- -lhes oferecidos mais elementos para considerar sua possível vocação religiosa do que sua orientação para o matrimônio; e não faltam aqueles que desestimam aos seus olhos a vida conjugal, que pode parecer aos jovens algo que a Igreja simplesmente tolera.
53d. O matrimônio é caminho divino na terra
No Opus Dei, sempre procedemos de maneira diferente e, deixando muito claro que a castidade perfeita é superior ao estado conjugal, apontamos o matrimônio como um caminho divino na terra. Não nos fez mal seguir esse critério: porque a verdade é sempre libertadora, e há nos corações jovens muita generosidade para voar acima da carne quando eles são livres para escolher o Amor.
53e. Santo sacramento do matrimônio
Não nos assusta o amor humano, o amor santo dos nossos pais que o Senhor usou para nos dar a vida. Abençoo esse amor com as duas mãos. Não admito que nenhum dos meus filhos deixe de ter um grande amor pelo santo sacramento do matrimônio. Por isso cantamos sem medo as canções do amor limpo dos homens, que também são versos de amor humano ao divino; e nós que renunciamos a esse amor da terra pelo Amor, não somos solteirões: temos um coração substancial.
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Documento impresso de https://escriva.org/pt-br/carta-29/53/ (26/03/2026)