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Liberdade
Liberdade, meus filhos. Não espereis jamais que a Obra vos dê palavras de ordem temporais. Não teria o meu espírito aquele que pretendesse violentar a liberdade que a Obra concede aos seus filhos, atropelando a personalidade própria de cada um dos filhos de Deus no Opus Dei.
36b.
Sois vós — livremente — que deveis estar sensibilizados pela formação recebida, de tal forma que reajais espontaneamente perante os problemas humanos, as circunstâncias sociais incertas que precisam ser encaminhadas com critérios retos. Cabe a vós, com vossos concidadãos, correr corajosamente esse risco de procurar soluções huma- nas e cristãs — aquelas que vejais em consciência: não existe uma única — para as questões temporais que surjam em vosso caminho.
36c. Falso Paternalismo
Porque ficaríeis esperando em vão que a Obra vo-las desse prontas: isso não aconteceu, nem acontece, nem poderá jamais acontecer, porque é contrário à nossa natureza. A Obra não é paternalista, embora essa palavra seja ambígua, e portanto refiro-me ao sentido pejorativo. Os Diretores confiam na capacidade de reação e iniciativa que tendes: não vos conduzem pela mão. E, na ordem espiritual, eles têm em relação a vós sentimentos de paternidade, de maternidade!, de bom paternalismo.
36d. Não formamos um grupo de pressão
Portanto, é impossível que formemos, no seio da sociedade, o que hoje é chamado de grupo de pressão, pela própria liberdade de que desfrutamos no Opus Dei: pois, no momento em que os Diretores manifestassem um critério específico em coisa temporal, os outros membros da Obra que pensam diferente se rebelariam legitimamente, e eu me veria no triste dever de abençoar e elogiar aqueles que se recusassem categoricamente a obedecer — estes deveriam levar o assunto ao conhecimento dos Diretores Regionais, ou do Padre, o mais rápido possível — e repreender com santa indignação os Diretores que pretendessem fazer uso de uma autoridade que não podem ter. Também seriam dignos de grave repreensão aqueles meus filhos que — em nome de sua própria liberdade — pretendessem limitar a legítima liberdade de seus irmãos, tentando impor um critério pessoal em assuntos temporais ou opináveis.
36e.
Aqueles que se obstinam em não ver essas coisas com clareza e em inventar segredos, os quais nunca existiram e nunca serão necessários, certamente o fazem ex abundantia cordis, porque eles mesmos agem dessa maneira. E eles nunca poderão, como nós, manter a cabeça erguida e olhar nos olhos dos outros com uma luz clara: porque nós não temos nada a esconder, ainda que cada um tenha suas misérias pessoais, contra as quais luta em sua vida interior.
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Documento impresso de https://escriva.org/pt-br/carta-29/36/ (26/03/2026)