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Associações de fiéis

Vosso trabalho apostólico, meus filhos, não é uma tarefa eclesiástica. E, muito embora não haja inconveniente propriamente dito em que alguns de vós façam parte de associações de fiéis, isso não será o habitual, porque o apostolado específico para o qual a Obra vos prepara — aquele que Deus quer de nós — não tem um matiz confessional.68

38b. Humildade coletiva

Vivemos, com essa discrição, uma maravilhosa humildade coletiva, porque, trabalhando em silêncio, sem fazer alarde de sucessos ou triunfos — mas, repito, sem mistérios ou segredos, dos quais não necessitamos para servir a Deus —, vós passais despercebidos entre os outros fiéis católicos — porque é isso que sois: fiéis católicos —, sem receber aplausos pela boa semente que semeais.

38c.

No entanto, especialmente em locais rurais — onde o contrário poderia parecer estranho —, alguns podem trabalhar nas confrarias e em outras obras apostólicas

paroquiais, procurando incentivá-las, vivificá-las, mas normalmente sem ocupar cargos. Por isso, aquelas pessoas que lideram associações de fiéis dotadas — infelizmente — de interesses monopolistas não devem ter medo de que lhes arrebatemos sua ditadura exclusivista, uma vez que nosso critério está em que, para fazer o seu traba- lho, já existem eles. Devemos atuar da nossa própria maneira, que é muito diferente.

38d. Presença no culto público

Todavia, como cristãos fiéis que sois, se as circunstâncias do ambiente e a maior eficácia do apostolado não aconselharem o contrário, não vos ausenteis do culto público que a sociedade como tal é obrigada a prestar ao Senhor. Sofri tantas vezes ao contemplar manifestações de culto em que faltava a comunidade, em que não aparecia a família, o povo de Deus. Tenho certeza de que, se fordes fiéis, será uma realidade esse culto público, sóbrio e digno, sem exaltações nem extremismo, que muitas vezes o transformam em algo pitoresco.

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Notas
68

«não é uma tarefa eclesiástica»: ou seja, para Escrivá, o apostolado é tarefa de cada pessoa, e não da instituição, a qual se limita a orientar e assistir pastoralmente as pessoas que pertencem ou se aproximam do Opus Dei. Sua ideia é que a ação apostólica é sempre responsabilidade e fruto da iniciativa de membros, cooperadores ou amigos, que se beneficiam da orientação e da ajuda espiritual que lhes são fornecidas. «Não tem matiz confessional»: a missão, como discípulos de Jesus no mundo, brota da consciência batismal e se desdobra nas relações pessoais que cada um cul- tiva. Portanto, usando de um paradoxo, ele diz que um apostolado profundamente cristão como o que está descrevendo pode não ter um matiz oficialmente católico ou «confessional», pois se apresenta como algo que provém da própria vida íntima de fé, no exercício da própria profissão ou atividade secular.

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